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Breve reflexão sobre o Dia de finados

Por Julio Emanuel Almeida.

Morte: certeza que nos une.

Definitivamente não fomos criados para a morte. Como é ruim! Dói! Machuca! Incomoda! Nos deixa incompletos, sem chão! E pensar que a morte, tão mal vista por muitos de nós, é a única certeza compartilhada entre todos os seres humanos: um dia todos morreremos! É assim. Não importa se você crê ou não; se crê em um ou vários deuses. Se você é bom ou ruim. Se é ateu ou agnóstico. Se é de direita ou de esquerda. Nada disso importa. A morte não olha para isso…

Que estranho… Algo que tanto repudiamos é a única certeza em comum: vamos morrer!

E pensar que São Francisco de Assis chamava a morte de amiga, irmã, companheira. Mas deixemos o assunto de nossa morte para um outro dia. Hoje, proponho-me a falar da morte de nossos entes queridos e de como ela nos afeta por meio de uma breve reflexão sobre o dia de finados.

Dia de finados

Dia 2 de novembro. Feriado. A sociedade guarda este dia para lembrar de seus mortos. Cristãos se unem em orações por todos os falecidos. É o dia de finados. É o dia da lembrança. É o dia de fazer memória! E nesse dia, a Igreja nos convida não só a rezarmos pelos nossos conhecidos e ente queridos, mas também pelos homens e mulheres desconhecidos, esquecidos, que ninguém lembra e nem reza.

Como nos falam  algumas Orações Eucarísticas, neste dia rezamos por todos os  que partiram desta vida e morreram na esperança da ressurreição,  pedindo que o Senhor abrindo seus braços, acolha-os na luz de Sua glória a fim de viverem na morada celeste e definitiva.

Visões sobre o dia de finados

Há aqueles que não se importam com esse dia. Ou que acreditam ser uma aberração se lembrar dos que já se foram. Respeito essa visão, mas não concordo. Ser indiferente aos falecidos é um triste caminho que significativa parcela da nossa sociedade, infelizmente, direciona-se. Caminho de esquecimento da memória, seja histórico-social seja histórico-pessoal.

Para  muitos, trata-se de um dia mais silencioso, onde, às vezes, as pessoas se encontram mais recolhidas e tristes por reviverem a dor da perda. Fotos são revistas, cemitérios são visitados, velas são acesas, lágrimas escorrem. Há muitos que experimentam  inconformismo, solidão, revolta,  tristeza,  vazio.

Saudade: ausência da presença.

Gostaria de apresentar, aqui, porém,  duas outras maneiras para que possamos nos aproximar do dia 2 de novembro. Maneiras menos tristes. Maneiras mais cristãs.

Gosto de chamar esse dia de “Dia da Saudade! ”.

Minha primeira aproximação da palavra saudade vem dos gregos antigos. Eles tinham uma bonita definição de saudade: a ausência da presença. Desse ponto de vista, dia da saudade é o dia em que sentimos aquele apertinho no fundo do peito, a ausência da presença de quem amamos, mas com um gostinho bom, da lembrança, do “como eu queria que ele/ela estivesse aqui comigo para ver, viver este momento; para me ajudar a passar por esse sofrimento; ou simplesmente para estar aqui pois sua presença me faz bem”.

Pessoas que, sem dúvida, gostaríamos que estivessem  conosco hoje, mas que se fazem presentes, agora, pela nossa memória. Essa ausência é sentida pela importância que tinham, têm e terão em nossas vidas.  Essa lembrança é um reviver de ocasiões, alegres ou nem tanto, que  passamos com eles. É relembrar dos momentos juntos. Das brincadeiras. Do fazer nada. Lembrar é ter ali presente a pessoa amada. Lembrar nos remete à eternidade… Lembremos! Com carinho, com alegria!

Saudade: o amor que fica.

Outra definição muito bonita para saudade e que me tocou muito é a de uma menina de 10 anos que sofria de um câncer terminal. Em uma conversa com seu médico ela disse que quando morresse, seus pais ficariam com muitas saudades. O médico então perguntou o que era, para ela, saudade. Ela respondeu que a saudade é o amor que fica.

Usando a definição desta menina de 10 anos, dia da saudade então é o dia do amor que fica. E faz todo sentido! Que sensibilidade! Que definição! Na bíblia, há uma passagem dizendo que quando estivermos com Deus, no céu, a fé e a esperança já não existirão. Mas o amor… O amor existirá desde o sempre e para sempre! O amor permanece!

O vazio que uma pessoa amada deixa é preenchido com o amor que ela nos amou e que nós a amamos. Mesmo que não tenhamos sabido expressá-lo. Mesmo que ela não tenha sabido expressá-lo. Porque amar não significa dizer “Eu te amo”. Amar é cuidar, estar junto, aconselhar, se preocupar, querer bem, brigar, discutir… Amar não é falar, é agir. O problema é que por muitas vezes não sabemos agir… Não sabemos demonstrar que amamos. Amor é dom divino e por isso nunca acaba!

Conclusão

Amor que fica. Dor da ausência. Saudade. Sim, a saudade deve estar em nossas mentes e corações nesse dia. A tristeza? Ela pode, mas deve ser superada e substituída. Me reconforta pensar que, nascidos para a eternidade, um dia nos encontraremos com todos os que amamos no céu. Deixemos que o vazio que uma pessoa querida falecida deixou seja preenchido pelo Amor, por Deus! Que a dor da ausência física seja substituída pela felicidade de vivermos, um dia, lado a lado de nossos entes queridos na pátria celeste junto a nosso Pai.

 

2 novembro imagem

 

AS SETE PALAVRAS DE CRISTO NA CRUZ

Por Pe Fernando Genú SCV 

aIntrodução

“Já vo-lo disse, mas não acreditais. As obras que faço em nome de meu Pai dão testemunho de mim; mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem.” (Jo 10,25-26) Escutar a voz de Jesus: esse é o objetivo desta meditação. Vejam como Ele fala! Vejam como Ele encontra forças para falar! Ele tem realmente “palavras de vida eterna” (Jo 6,68). Que estas 7 palavras, tão somente algumas das 70 x 7 palavras que Jesus disse neste mundo, penetrem nossos corações. E nos ensinem a falar. E nos ensinem a viver. Continue lendo AS SETE PALAVRAS DE CRISTO NA CRUZ

MEDITAÇÃO SOBRE AS SETE DORES DE NOSSA SENHORA

Pe Fernando Genú SCV

 

Como preparação para a Semana Santa, gostaria de meditar com vocês sobre as 7 dores de Nossa Senhora. Dor-alegria. Binômio tão presente na vida daquela que foi escolhida para ser a Mãe de Jesus. O objetivo desta meditação é claro: aproximar-nos ao Coração sofrido do Senhor a partir do Coração Imaculadamente doído de Nossa Senhora. Sim, imaculadamente doído. A natureza imaculada de Maria, não só faz referência a que Maria, ao não possuir pecado, não coloca travas ao amor, ama com todo o seu ser. Refere-se também a que não foge do sofrimento, como nós. Experimenta-o com a dor própria de quem expõe totalmente seu coração ao amor. Talvez aqui encontremos uma chave interessante para aproximar-nos ao amor de Jesus, centro de nossa meditação especialmente nos dias da Semana Santa. Se esta meditação consegue ser uma primeira aproximação ao Coração de Maria e, a partir dele, ao Coração de Jesus, terei alcançado o meu desejo. Continue lendo MEDITAÇÃO SOBRE AS SETE DORES DE NOSSA SENHORA